Meu Corpo Gordo na Fotografia

ENSAIO JANEIRO 2019 – O corpo em que habito!

Fui convidada, por uma fotógrafa profissional, junto com uma conhecida de Cuiabá que estava ajudando a organizar o projeto, a participar de um projeto, “O corpo em que habito”, para um ensaio com mulheres nuas na natureza, na cidade onde moro, Chapada dos Guimarães.

Num primeiro momento, fiquei receosa porque já imaginei que meu corpo seria o maior, mas, conversando com a fotógrafa @Gabimattiello e pensando melhor, acabei participando. Meu corpo gordo tinha que estar naquele espaço, entre outros corpos femininos, representando as gordas como eu.

Eu nunca tinha participado de nada parecido, era minha oportunidade de estar com meu corpo imenso junto a outras mulheres vivenciando a experiência de fotografar nua, também era uma maneira de mostrar que meu corpo existe e resiste.

Meu corpo era o maior, e essa contatação me impulsionou a estar ali, compor com outras mulheres aquele ensaio, tive insegurança, não conhecia quase nenhuma delas, mas aos poucos fomos nos conhecendo, uma apoiando a outra e quando vi estava a vontade com as outras mulheres.

A experiência foi fantástica, empoderadora e o resultado me mostrou uma Malu segura, que conhece seu próprio corpo gordo, um corpo que carrega histórias, humilhações, dores e traumas, mas que está bem, alegre e não tem mais vergonha de aparecer.

Ensaio Corpo que habito – Por @gabimattiello

Quando me trouxeram de volta para casa, lembro que no caminho chorei emocionada com tudo aquilo que tinhamos vivido, tirar as roupas, brincar juntas, romper alguns padrões de competitividade, medo, vergonha, moral até nossos corpos.

Me sentia livreeee, como se tivesse rompida algo muito poderoso e dolorido dentro de mim.

Fiquei parada no portão de casa chorando por alguns minutos, e a sensação era de porque eu não tinha feito um ensaio antes, e de como nossos corpos são vigiados, moralizados, proibidos e controlados.

Esse Ensaio foi o primeiro de muitos outros que eu viria a fazer, foi o “abre alas”, que me mostrou a importância da fotografia na minha vida e eu nem tinha entendido isso direito naquela época.

Aproveito pra lhe perguntar: Qual é o corpo que você habita? Como você o enxerga? Como você o apresenta e o que ele representa?

Todas essas perguntas me habitam até hoje! A importância do meu corpo pra mim e para o mundo, é uma explosão de afetos que afectam quem participa desses ensaios, quem vê as fotos, mas principalmente para a construção de meu olhar sobre meu corpo Gordo maior.

Quando vi as fotos depois do Ensaio, tive uma rejeição ao meu corpo e foi fatal a comparação aos outros, porém fiz o exercício de me olhar com mais carinho e perceber a potencialidade que era meu corpo alí como uma Mulher Gorda maior. Hoje eu admiro esse ensaio com muita mais potência e adoro levar fotografias dele para minhas palestras, apresentações. Falei dele e de minha expriencia na Tese e tem sido sempre muito elogiado.

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